O PODER LIBERTADOR DO F*DA-SE - O LIVRO QUE EU NUNCA ESCREVI

February 16, 2019

 

 

Ah, você não tem ideia da raiva que eu senti quando foi lançado “A sútil arte de ligar o f*da-se*”... Eu quase me enforquei (metaforicamente, claro) por não ter sido eu a escrever meu livro primeiro! Há alguns anos que venho dizendo que o faria, afinal de contas a vida já me deu inúmeras provas de que adotar o “f*da-se” como lema é o único modo de se manter são nesta vida. E quando eu digo inúmeras, acredite: você não sabe a quantidade de situações absurdas nas quais já me meti. Ou me vi enfiada. Talvez você fique sabendo. Porém, como já contei no título, eu nunca escrevi.

 

Por quê? Porque, obviamente, não segui meu próprio lema (o que me leva a concluir que eu não sou muito sã, não). Repeti insistentemente esse conselho para meus amigos – parecendo acreditar piamente nele, ser uma pessoa plenamente autossuficiente -, mas eu mesma nunca consegui de fato tocar o “f*da-se” para a tão estimada opinião alheia. Por medo do que os outros iriam pensar, como iriam me julgar, o que iam achar do que eu escrevi, do que eu penso, do que sinto... Bla bla bla.

 

Oh God, que inutilidade. Quanto tempo perdido, meu Senhor (e seguimos pronunciando o nome Dele em vão. Perdão)...Tanta coisa que já deixei de fazer ou dizer por medo e vergonha do julgamento alheio. E que vantagem isso me trouxe? Ninguém pensou mal de mim? Ninguém riu da minha cara enquanto eu passava? Ninguém cochichou para o amigo o quanto eu sou boba? Ou dramática? Ou idiota? Ou o que quer que pensem sobre mim?! Claro que não.

 

Ao invés disso, pensaram que eu era preguiçosa. Riram do meu aparente desprendimento. Cochicharam que eu era um fracasso. Indecisa. Fraca. Sem futuro. Me julgaram não pelo que eu fiz, mas, ao contrário, por tudo aquilo que eu deixei de fazer!

 

Veja bem, LOGO EU que tinha tanto medo de fazer e dar errado. De escrever e parecer idiota. De tentar realizar meus sonhos e falhar... Acabei falhando justamente ao não agir. Errei ao permanecer inerte. Pareci idiota por aparentemente não ter um sonho para realizar. Me chamaram de folgada, superficial, disseram que eu não tinha futuro.

 

E cá estou eu, percebendo que o futuro já chegou. É agora. Já estou aqui e aqui é o único momento em que estou. No presente. E preciso agir. Realizar. Fazer algo. E a única forma de criar a coragem necessária para dar a cara à tapa, botar minha cara no mundo, perder a vergonha na cara (e inclua aqui qualquer outro clichê, desde que contenha a palavra “cara” para não perder a graça), é... Tã-dã!: tocar meu tão estimado, porém intimamente temido, “foda-se”!

 

Literalmente, parar de me importar com o que os outros vão pensar. O que vão falar sobre mim. Que características usarão para me descrever. Porque o juiz mais importante, e o único com algum poder de mudar a sentença do meu futuro, é o que mora dentro de mim: minha própria consciência.

 

Quando alguém nos critica, nos julga, nos descreve, está falando muito mais sobre si mesmo do que sobre nós. Quem sentencia sem saber a história do outro, os fatos da sua vida, suas mágoas, suas dificuldades, suas forças e superações, é prepotente. Acredita saber toda a verdade, quando está longe de ser onipresente. Toda pessoa é muito mais do que se vê. É simplesmente arrogante descrever alguém com base só no que você observou. Que normalmente é diferente do que outra pessoa enxergou. E cada um que olha para alguém, vê uma pessoa distinta. Porque ninguém consegue enxergar tudo sobre ninguém – na maioria das vezes, nem sobre nós mesmos.

 

Então f*da-se o que você vai pensar, o que os outros vão dizer, qual julgamento vão fazer de mim. Eu finalmente estou criando coragem (e você também deveria) para olhar para dentro de mim mesma, para descobrir minha própria verdade. Expor meus sentimentos, dizer o que eu penso. Acolher esse ser-humaninho que eu sou com o mesmo abraço e carinho que tento acolher os outros. Tentar compreender a mim mesma. Proporcionar-me o conforto que ofereceria a um amigo. Sem julgamentos, sem ignorância. Apenas compreensão e liberdade.

Ah, a liberdade... Não tenho dúvidas que a maior delas, a verdadeira, aquela que realmente nos libera, é a liberdade de sermos nós mesmos. Com todos os nossos defeitos e imperfeições, mas os verdadeiros.

 

Só entende os outros quem entende que não sabe quase nada sobre ninguém. E só entende a si mesmo quem perde o medo do que vai enxergar ao olhar para dentro, e cria a coragem de mostrar a si e ao mundo o que encontrar ali. A liberdade não é um estado, é um processo. E ele acontece de dentro da fora, quando você toca o foda-se para a opinião alheia e passar a ouvir a sua própria consciência.

 

F*da-se o mundo, seja você mesmo. Completamente livre. Livremente completo.

 

 

*Livro de Mark Manson: A sutil arte de ligar o f*da-se - uma estratégia inusitada para uma vida melhor. Intrinseca, 2017.

 

 

The Liberating Power of Fuck It: The Book I Never Wrote

 

Oh, you have no idea the anger I felt when it was released "The subtle art of not giving a fuck" ... I almost strung myself up (metaphorically, of course) for not have written my book first! For some years I've been saying that I would, after all life has already given me a lot of evidence that adopting "fuck it" as a motto is the only way to stay sane in this life. And when I say countless, believe me: you don´t know how many absurd situations I've gotten myself into. You may get to know it. However, as I sad, I never wrote the book.

 

Why? Because obviously I did not follow my own motto (which leads me to conclude that I'm not very sane). I kept repeating this advice to my friends - seeming to believe in it, to be a fully self-sufficient person - but I never really managed to give the fuck for the super-esteemed opinion of others. For fear of what they would deliberate, how they would judge me, what they would think about what I wrote, of what I think, of what I feel ... Blah blah blah.

 

Oh God, how useless this is. How much time I lost, my Lord (and we continue to pronounce His name in vain, forgive me)... So many things I have stopped doing or saying for fear and shame of others judgment. And which gain that has brought me? Hasn´t anyone thought ill of me? No one laughed at my face as I passed? No one whispered to the friend how silly I am? Or dramatic? Or idiot? Or whatever they think about me?! Of course not.

 

Instead, they thought I was lazy. They laughed at my apparent detachment. They said I was a failure. Indecisive. Weak. Without future. They judged me not for what I did, but, on the contrary, for all that I failed to do!

 

You see, ME, who was so scared to do and go wrong. To write and sound stupid. To try to my dreams come true and fail... I ended up failing precisely by not acting. I failed as I remained inert. I seemed silly for apparently not having a dream to achieve. They called me a looser, superficial, they said I had no future.

 

And here I am, realizing that the future has arrived. It is now. I'm already here and here is the only time that I am. In the present. And I need to act. Accomplish. Do something. And the only way to create the courage to face the world, to be shameless, is... Tã-dã!: to give my so beloved, yet intimately feared, "fuck"!

 

Literally, stop caring about what others will think. What are they going to say about me. Which characteristics will they use to describe me. Because the most important judge, and the only one with any power to change the sentence of my future, is the one that resides within me: my own consciousness.

 

When someone criticizes us, judges us, describes us, is communicating much more about himself than about us. Those who sentence without knowing the entire history of others, the facts of their life, their hurts, their difficulties, their strengths and surpasses, is arrogant. Believes to know the whole truth, when it is far from being omnipresent. Every person is much more than you can see. It is simply arrogant to describe someone based solely on what you have observed. Which is usually different from what another person has seen. And everyone who looks at someone sees a different person. Because no one can perceive everything about anyone - most of the time, not even about ourselves.

 

So fuck what you're going to think, what others are going to say, what judgment they'll make of me. I am finally creating the courage (and so should you) to look within myself, to discover my own truth. Expose my feelings, say what I think. To welcome this tiny human being that I am with the same hug and affection that I try to embrace others. Try to understand myself. Provide me the comfort I would offer to a friend. Without judgments, without ignorance. Solely with understanding and freedom.

 

Ah, the freedom ... I have no doubt that the greatest of it, the true one, the one that really frees us, is the freedom to be ourselves. With all our defects and imperfections, but the real ones.

 

Only understands the others who understand that know almost nothing about anyone. And only understands himself the one who loses his fear of what he will see when he looks in, and creates the courage to show himself and the world what find in there. Freedom is not a state, it is a process. And it happens from the inside out, when you give a fuck to others opinion and start listening to your own conscience.

 

Fuck the world, be yourself. Completely free. Freely complete.

 

 

*Book by Mark Manson: The Subtle Art of  Not Giving a Fuck - A Counterintuitive Approach to Living a Good Life. Harper, 2016.

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