SOBRE SER MÃE - A VISÃO DE UMA FILHA

May 10, 2019

Domingo será dia das mães, e eu estive pensando sobre o que eu poderia escrever para não deixar a data passar em branco. Como ainda não sou mãe, estou impossibilidade de contar sobre os milagres da maternidade. Mas toda pessoa é filha de alguém, e disso eu posso falar. Com propriedade. Quais os dilemas de ser uma filha que pretende um dia ser uma mãe? O que eu aprendi com a minha? O que quero fazer igual a ela, e o que quero fazer completamente diferente?

 

Porque a gente sempre aprende com as nossas – elas são nossos maiores exemplos – o que que fazer, e o que não fazer. Como todas ai gostam de dizer, não existe manual que ensine a como ser a mãe perfeita. Todo mundo aprende na prática – a ser mãe, apenas, porque perfeita é impossível. Acredito que a minha tenha se esforçado para fazer o melhor que podia, mas claro que sua própria personalidade escorpiana a impediu de se sair melhor. Afinal de contas, toda mãe é, primeiramente, apenas uma pessoa – com seu próprio temperamento, qualidades e defeitos. E principalmente, com sua própria educação, criação e história. Só Deus sabe o que elas já passaram na própria infância, quais são seus tramas, ao que foram ensinadas...

 

Depois de muito observar, sentir na pele, chorar, brigar, perdoar, ignorar, me aproximar, me afastar, cheguei a algumas conclusões, para o meu próprio bem e sanidade mental e emocional: 1. É preciso ver nossos pais como indivíduos, não como nossos pais; 2. É preciso sim anotar mentalmente tudo que nos fez sofrer em nossa relação com eles – para poder fazer diferente com nossos filhos. Esse é o significado de evolução; 3. Após anotar o que gostaríamos de mudar, perdoar, deixar para trás. Lembrar, mas não guardar mágoa. Aceitar.

 

Foi a Nadine, minha terapeuta holística e amiga, que me disse para parar de querer que meus pais me tratassem como filha. Que parasse de criar expectativas sobre o que eu gostaria que eles fizessem por mim. O que ela disse foi mais ou menos assim: “você se dá bem com todo mundo. Em qualquer lugar que você chega, você automaticamente vira amiga de todos. Você tem tudo que é tipo de amigo, porque você não tem preconceitos e consegue compreender cada pessoa como ela é. Você só não consegue fazer isso em relação a seus pais, e sobretudo sua mãe. Ao invés de olhar para ela com empatia, você olha com expectativa – e acaba tendo todas frustradas. Por que não olhar para ela como pessoa, não como mãe, e tentar compreender o indivíduo que ela é?” Venho fazendo esse exercício diariamente e, apesar de às vezes não conseguir, tem operado milagres na nossa relação. De forma que a primeira conclusão não é minha, foi a Nadine que chegou a ela, mas tô compartilhando aqui contigo porque funciona comigo – às vezes, pelo menos.

 

Desde adolescente eu também anoto mentalmente tudo que a minha mãe faz em relação a mim ou ao meu irmão que eu acho errado e gostaria de fazer diferente com meu filho. Mesmo porquê acredito que eu tive oportunidade de estudar mais e tive acesso a mais informação, então acabei adquirindo algum conhecimento que ela não tem. Penso em tudo que eu acho que poderia ser melhor na nossa relação, e desejo fazer diferente com meus próprios filhos. Quebrar ciclos que vêm se repetindo de geração em geração, mudar ensinamentos e tradições que não mais convém, parar de passar adiante certos traumas e preconceitos. E o único jeito é tomando conhecimento deles.

 

E por fim, perdoar. Tudo que já me magoou. Claro que eu não simplesmente perdoei uma vez só tudo que já aconteceu. O perdão é um exercício diário. A gente decide todo dia não sentir nada negativo em relação àquele evento ou àquela pessoa. Em alguns dias eu não consigo, mas eu me esforço em todos eles para não sentir nada negativo em relação a ninguém – não só a meus pais. Quando lembro de algum fato ou história que me chateou, ou quando acontece algo novo que me magoa, eu tento ao máximo perdoar, não guardar raiva, e deixar passar. Sei que não vou esquecer, até porque preciso aprender com isso, extrair algum ensinamento, mas procuro não guardar na memória associado a nenhum sentimento ruim. É libertador quando a gente consegue! Pensar em algo que nos fez mal, sentindo algo bom. Talvez seja essa a verdadeira libertação. E a verdadeira sanidade.

 

Acredito que essas são três coisas que venho praticando diferentemente da minha própria mãe, que provavelmente não recebeu os meus conselhos, nem teve os mesmo insights que eu. São aprendizados que eu tentarei ensinar aos meus filhos, um dia. E mesmo que eu não os tenha, espero que sirva a você, leitor. Que te ajude a perdoar, criar empatia pelos seus pais e refletir sobre a mãe ou pai que você quer ser um dia. Anote mentalmente tudo que você quer mudar, e agradeça, todos os dias, por aquilo que você faria igualzinho – sinal que eles acertaram em bastante coisa também, certo? Afinal de contas, se eles não tivessem feito nada direito, muito provavelmente não teríamos sequer a oportunidade de estar escrevendo e lendo sobre isso aqui hoje em dia. Obrigada, mãe! E como também estou longe de ser a filha perfeita, me perdoa também?

 

 

About being a Mother - the Vision of a Daughter

 

Sunday will be Mother's Day, and I've been thinking about what I could write to not let the date go blank. Since I am not yet a mother, I am unable to tell you about the miracles of motherhood. But every person is someone's daughter, and I can talk about it. With property. What are the dilemmas of being a daughter who one day wants to be a mother? What did I learn from mine? What do I want to do just like her, and what do I want to do completely different?

 

Because we always learn from our own - they are our greatest examples - what to do, and what not to do. As everyone likes to say, there is no manual that teaches you how to be the perfect mother. Everyone learns in practice - to be a mother, because a perfect one is impossible to be. I believe mine struggled to do the best she could, but of course her own Scorpio personality prevented her from doing better. After all, every mother is, first of all, only a person - with her own temperament, qualities and flaws. And, especially, with her own education, foundation and history. God only knows what they have been through in childhood, what are their traumas, what they were taught...

 

After much observing, feeling deeply, crying, fighting, forgiving, ignoring, getting close, moving away, I came to some conclusions, for my own good and mental and emotional sanity: 1. We must see our parents as individuals, not like our parents; 2. It is necessary to write down mentally everything that made us suffer in our relationship with them - to be able to do differently with our children. This is the meaning of evolution; 3. After noting what we would like to change, forgive, leave behind. Remember, but do not keep suffering. Accept.

 

It was Nadine, my holistic therapist and friend, who told me to stop wanting my parents to treat me like a daughter. To stop creating expectations about what I wanted them to do for me. What she said was something like this: "you get along with everyone. Wherever you go, you automatically become friends with everyone. You have every kind of friend, because you have no prejudices and can understand each person as she is. You just cannot do it in relation to your parents, and especially your mother. Instead of looking at her with empathy, you look with expectations - and you end up having all frustrated. Why not look at her as a person, not as a mother, and try to understand the individual she is?" I have been doing this exercise daily, and although sometimes I just can´t, it has worked miracles in our relationship. So the first conclusion is not mine, it was Nadine who came to her, but I'm sharing here with you because it works for me - sometimes, at least.

 

Since a teenager I also mentally note everything my mother does about me or my brother that I think is wrong and would like to do differently with my child. Even because I believe that I had the opportunity to study more and had access to more information, I ended up acquiring some knowledge that she does not have. I reflect about everything I think could be better in our relationship, and I wish to do differently with my own children. To break cycles that have been repeated from generation to generation, to change teachings and traditions that no longer fit, to stop passing on certain traumas and prejudices. And the only way is by taking notice of them.

 

And finally, forgive. Everything that has already hurt me. Of course I did not just forgive once for everything that ever happened. Forgiveness is a daily exercise. We decide every day not to feel anything negative about that event or that person. Some days I just can´t, but I struggle in all of them not to feel anything negative about anyone - not just my parents. When I remember some fact or story that upset me, or when something new happens that hurts me, I try hard to forgive, not to keep anger, and let it go. I know I will not forget, even because I need to learn from it, to extract some teaching, but I try not to keep it in memory associated with any bad feeling. It's liberating when we get it! Think about something that made us bad, feeling good. Maybe this is real freedom. And the true sanity.

 

I believe that these are three things I have been doing differently from my own mother, who probably did not receive the same advices, nor had the same insights I did. They are learnings that I will try to teach my children someday. And even if I do not have them, I hope it serves you, reader. Help you forgive, empathize with your parents and reflect on the mother or father you want to be someday. Make a mental note of everything you want to change, and thank every day for what you would do just the same - a sign they did a lot properly too, right? After all, if they had not done anything right, we would probably not even have the opportunity to be writing and reading about this here today. Thanks Mom! And since I am far from being the perfect daughter, do you forgive me too?

 

Share on Facebook
Share on Twitter
Please reload

  • Facebook Patricia Ceccato
  • Twitter Patricia Ceccato
  • Pinterest Patricia Ceccato
  • Instagram Patricia Ceccato
FOLLOW ME
SEARCH BY TAGS
FEATURED POSTS